Friday, January 19, 2007

"Mecanismo neodarwinista":mais que mutações e seleção natural

A impressão que se tem é que alguns críticos da evolução imaginam que o neodarwinismo postula que a macroevolução só procede através de mutações e seleção natural.Obviamente, eles não sabem que a lista de mecanismos evolutivos é bem ampla:

1-Mutação genética (incluindo aí a alteração cromossômica)

2-Seleção natural (incluindo aí a seleção natural sobre a plasticidade fenotípica)

3-Recombinação gênica (cria novas combinações de alelos e até novos alelos)

4-Fluxo genético (incluindo aí transferência gênica horizontal)

5-Fusão simbiótica (que explica a existência de mitocôndrias

6- Mudanças na organização espacial de tipos celulares que está em desenvolvimento, no tempo durante o qual o tecido e os tipos celulares e tecidos se diferenciam ou na forma geométrica dos órgãos.

7-Deriva genética

O interessante é que nem todas as características existentes nos organismos são refletidas no seu genótipo.A maioria das alterações morfológicas não envolvem evolução de proteínas novas, mas a atuação do mecanismo 6. E o engraçado disso tudo é que isso é algo dito num livro de um neodarwinista (Douglas Futuyma na 2ª edição de Biologia Evolutiva ) em 1986.

Outra coisa, quando um genótipo tem a capacidade de produzir diversos fenótipos chamamos de resposta plástica.Muitas vezes, essas respostas plásticas são adaptações num sentido que uma alteração no fenótipo ocorre em resposta a um sinal ambiental específico e melhora o sucesso reprodutivo.É verdade que muitas vezes existe dificuldade de saber quanto de uma respsta plástica é adaptativa, porque ela também pode ser uma consequência natural de processos biológicos,físicos e químicos que podem ter ocorrido independentemente da evolução ter adaptado uma população as condições nas quais elas se encontram. Hoje em dia, existem testes experimentais que determinam o quanto de uma resposta plástica é adaptativa.Um exemplo que citei no primeiro artigo de meu blog, foi a maneira como os sapos extendem seu período larval em resposta a temperatura (parte disso é adaptativo, parte não é).Como estou com preguiça de descrever o caso, vejam Evolução:Uma Introdução de Stephen Stearns e Rolf Hoekstra (Atheneu Editora São Paulo,p.121,122).

Apesar disso, não pensem que esta confusão de acreditar que tudo que não é acumulo de mutações e seleção natural é antineodarwinismo ocorre só entre leigos.A crítica mais confusa do neodarwinismo que já vi é Lynn Margulis.Ela é uma bióloga que se auto-intitula uma darwinista e que se opõe parcialmente à síntese moderna porque sua opinião difere em relação ao último em relação a origem da variação genética ( The Woodstock of Evolution).Também propôs a Teoria Evolutiva da Simbiogênese que segundo a qual seria uma idéia antidarwinista em que “a vida não conquistou o globo pelo combate, mas por um entrelaçamento”. Lynn Margulis pensa que a maioria dos eventos de especiação são causados por mudanças em simbiontes internos.Um exemplo de uma evolução surgida por esse mecanismo são as organelas que realizam a fotossíntese nas plantas- os cloroplastos- originaram-se como bactérias de vida independente aparentadas às cianobactérias que foram engolidas por proto-eucariotos e eventualmente entraram numa relação endossimbiótica.O mesmo ocorreu com as mitocôndrias que realizam a nossa respiração celular, e nós até hoje temos esse DNA independente, chamado DNA mitocondrial, que é mais parecido com os das bactérias roxas que as nossas. A simbiose não ocorre só em organelas.Por exemplo, existem micróbios que fazem completamente a digestão de uma espécie de inseto ou bactérias que geram luz para peixes.

Na verdade, a evolução não prediz o eterno combate e sim o egoísmo entre os organismos.Entretanto, Margulis postula uma falsa dicotomia entre cooperação e egoísmo.A relação de endosimbiose ocorreu na evolução da célula eucariótica simplesmente porque isso também foi bom para o parasita-esse é o caso onde há transferência longitudinal de DNA.Algo que não aconteceria em parasitas com transferência horizontal de DNA, como o vírus da gripe.Ainda segunda ela, não seria acúmulo de mutações não seria crucial na origem de novas espécies e que a simbiose seria o principal mecanismo para isso.Entretanto, Mayr menciona que não há indicação que alguma das 10.000 espécies de aves ou 4.500 espécies de mamíferos foram originadas por simbiogênese.Este é um ótimo link, onde isso e mais um pouco é analisado: A visionary scientist with a blind spot . A melhor definição para Lynn Margulis é que ela é uma ultra-neutralista e uma ultra-confusa.

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